Haicai, Verso e Prosa

Letras e Sentimentos

Meu Diário
25/09/2021 15h12
Renga do HAIKAI & DESCEDENTES & ASCENDENTES

Arquivo 01

Primeiro Renga do Grupo Haika & Ascendentes & Descendentes

Objetivo: Entender as origens do haicai tradicional.

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RENGA : Chuva de verão:

Condução Benedita Azevedo

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01

Chuva de verão –

Barulho de água na calhas,

no mais, o silêncio.

-----   Carlos Martins

02

Dormem juntinhos na gruta

o rebanho e o pastor.

--------Regina Alonso

 

03

Guardando a entrada

a cadela de vigia --

Estronda o trovão.

-------Benedita Azevedo.

04

"O relâmpago ilumina

as casas na noite escura".

--------Carlos Martins

 

05

Tempo nebuloso

risca o céu de colorido –

Duplo arco-íris.

------Sandra Hiraga

06

No pontilhão da cidade

sorri casal de mendigos.

---------Regina Alonso.

 

07

Voluntário chega

com uma sopa quentinha

após o toró

-------Clara Znifer

08

Na frente da Catedral

os moradores de rua.

---------Nilza Azzi

 

09

Bando de andorinhas -

O céu por alguns instantes

no olhar do mendigo

---------Rose Mendes

10

Uma ponta de saudade

passa pelo pensamento.

--------Sandra Hiraga

 

11

Revoada de pombos

em torno do coreto ---

Manhã de verão

-------Carlos Martins

12

A criançada na creche

corre na recreação!

-------Benedita Azevedo.

 

13

As folhas ao sol

lembram a arte da Criação

por puro Amor...

------Antonio De Jesus Anjes

14

Caminhantes continuam

pela alameda em flor.

--------Regina Alonso

 

15

O sol ardente

plácido corre o riacho

homens conversam

-------Antonio De Jesus Anjes

16

Dois pescadores com anzol

enchem a cesta de peixes.

------Benedita Azevedo.

 

17

Tarde preguiçosa ―

Em uníssono as cigarras

na mata do rio.

-------Carlos Martins

18

voa, voa um passarinho

sobre o mistério da tarde

-------Rose Mendes

 

19

Apenas silêncio

e o arrebol de verão -

Olhar para o céu...

-------Marco Aurélio Goulart

20

Lá sobre a Serra do Órgãos

a cachoeira murmura

-------Benedita Azevedo

 

21

Uma gota d’água

Pinga, pinga persistente

Perfurando a rocha

-------Pedro Caluchi

22

a tarde vai se esvaindo

e esta chuva que não cessa.

---------Elisa Campos

 

23

vai chegando a noite

cantam os pássaros pretos

entre o bambuzal

-------Severino José

24

num farfalhar de folhas

meus passos seguem a trilha

--------Elisa Campos

 

25

Noite silenciosa...

só o grito da coruja

rasga a escuridão!

--------Benedita Azevedo.

26

Passa, na noite sem lua,

o jovem casal em juras.

--------Carlos Martins

 

27

Silêncio na noite

aves pousadas nos ramos

anjos sobre a terra

------ Rose Mendes

28

Nem passarinhos verão

a morna chuva de estrelas.

------Marco Bastos

 

29

Chia no fogão

a comida preferida

pescada frita

------Regina Alonso

30

a mesa posta pra dois

e um som suave no ar.

-------Benedita Azevedo.

 

31

por todo o quintal

sinais visíveis de chuva

ah!, a brisa fresca!

-----Severino José

32

ao arrepio do sabiá

horas passam no telhado.

---------

 

33

amoroso encontro

a noite cai na cidade

não há solidão

---------Rose Mendes

34

Ao sopro do vento frio

um abraço aquece o casal.

---------Marco Aurélio.

 

35

crianças brincam

com um enorme cipó ―

Campo de verão.

-------Carlos Martins

36

Sombra de corpos no chão

e lá se vai a manhã...

--------Regina Alonso

 

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Praia do Anil, Magé - RJ

14-01-2018, antes do Fantástico, terminamos

nosso fantástico RENGA! Às 20h 41m.

.

Benedita Azevedo

 


Publicado por Benedita Azevedo em 25/09/2021 às 15h12
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11/09/2021 17h07
Reunião da ACLAM

C O N V I T E

REUNIÃO DA ACLAM

 

        ACLAM: Academia de Ciências, Letras e Artes de Magé, na retomada e suas atividades, convida SEUS ACADÊMICOS para a próxima reunião. Na ocasião festejaremos os 10 anos de fundação de nossa academia e trataremos da eleição da nova diretoria.

 

DATA: 25 de setembro de 2021, às 15 horas.

LOCAL: Rua Carlos Franco, 179, Praia de Mauá-Magé-RJ

FAVOR CONFIRMAR PRESENÇA

Todos estaremos de máscara e mantendo distanciamento.

 

Benedita Silva de Azevedo

Secretária e Presidente do Conselho

Praia de Mauá- Magé- RJ, 11/09/2021


Publicado por Benedita Azevedo em 11/09/2021 às 17h07
 
01/11/2020 17h01
Histórias e fotos - capítulo XXI

Reaprendendo a viver

O Amilcar faleceu dia 04 de maio de 1980, no dia em que completava 53 anos, faltando três meses para completarmos 18 anos de casados. Com muitos altos e baixos, dez anos após sofrer  um AVC, os filhos crescidos, estudando, o Rogério trabalhando...a casa tomou um aspecto vazio. Mesmo estando acamado há quase dois anos, sentimos falta de sua presença.  Faltava alguma coisa. Tínhamos de reestruturar tudo. Reaprender a viver sem ele.

Os filhos se dedicaram aos estudos, teriam o vestibular ao final daquele ano. Na Universidade Federal do Maranhão a concorrência era grande. Além dos maranhenses  muita gente de fora se inscrevia para disputar uma vaga.  Após dois anos com o Amilcar acamado e muitos desafios a superar, o dois não conseguiram aprovação. Para os cursos preferidos por eles só havia uma opção à época, no Estado do Maranhão: UFMA - Universidade Federal do Maranhão.

Matricularam-se em um cursinho. Jane conseguiu uma vaga em Odontologia, aos 17 anos, em Julho de 1981. Rogério continuou no cursinho e dois anos depois mudou de área e cursou Administração de Empresa, a princípio em Belém, depois  na UEMA.

Em julho de 1981, um ano após o falecimento do Amilcar, um grupo de professores do Marista viajou para  fazer um Curso de Atualização em Educação. Começou em Campinas, SP dia 07 de junho  e terminou no Rio de Janeiro, dia 27 do mesmo mês, ministrado pela equipe de professores da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. O grupo nominado de “ V JEMAR – Jornada de Educadores  Maristas”. Foi um divisor de águas em minha vida, o romper de um casulo.  

V JEMAR (Jornada de Educadores Maristas)

Os  professores  eram  divididos por equipes.  Havia uma  hora de  recreação. Cada dia um grupo era responsável. A minha vez era a última.  Após um período sem escrever  quase  nada,  resolvi  homenagear  a  todos numa espécie de cordel em quadras, menos a métrica, pela dificuldade de encaixar os nomes das pessoas presentes.  Ao final, a direção do evento solicitou uma cópia para anexar aos anais da JEMAR. O Irmão Salvador sugeriu que o título fosse modificado para V Gemada, significando a mistura de pessoas de muitos Estados e suas características.

V GEMADA

Uma pequena homenagem

agora quero prestar,

aos educadores que vieram

fazer a V JEMAR.

 

Do extremo Norte ao Sul,

temos gente de todo lugar,

com a grande disposição

dos conhecimentos ampliar.

 

GRACIANO de Belém,

BENEDITA do Maranhão,

temos ELZA e JOÃO BATISTA,

participando em comunhão.

 

Com CLEIDE, do Recife,

veio Alfredo, um vendaval;

da Paraíba, ANTONIETA,

nossa rainha do Carnaval.

 

VANDA veio de Uberaba,

da Bahia, MARA e IACEMA;

de Alagoas, a BARTIRA

viva apesar de pequena.

 

De Goiás, Maria José;

Vila Velha PENHA E MARINA;

do belo Rio de Janeiro;

com amor: SÔNIA e CRISTINA.

 

De São Paulo, a Grande  Metrópole,

temos  MÁRCIA E ALICE;

MARIA HELENA e ELIZA, do Paraná,

encantando-nos com sua meiguice.

 

Quanta gente bacana!

Agora estou a pensar;

veio do Rio Grande do SUL

participar da V JEMAR:

 

SANETE, NEIDA, MARIA HELENA,

NEWTON, GILSON e SILVANA,

também a MARIA EMÍLIA,

Participando com gana.

 

Os trabalhos preciosos

preciso também  resaltar,

das  pessoas que trabalham

concretizando a V JEMAR.

 

Quem já viu pessoas iguais

aos Irmãos LAURINDO E SALVADOR?!

Dois pastores de Deus,

espalhando muito amor.

 

O Irmão CHESTANI nos trouxe

a noção do equilíbrio mental

que, por fim se resumiu

no AMOR o grande “sinal”.

 

A Irmã CARMELITA, confesso,

a  princípio me preocupou...

mas, ao final dos trabalhos,

as dúvidas dissipou.

 

TESCAROLO, quem diria?

Colocou-se ao nosso nível,

e com essa sua técnica

conseguiu do seu trabalho

o rendimento possível.

 

Irmão Ramalho mostrou-nos

a evolução da igreja:

tirando os banlangandãs,

fica a palavra de DEUS,

o essencial que Ele deseja.

 

Pra falar de Champagnat,

mostrando sua filosofia,

teremos o Irmão Laurindo,

pra nossa grande alegria.

 

O AMOR FRATERNO é fundamento.

Por isso é importante ver

o empenho dos Maristas

em tornar-nos conscientes

do que devemos fazer.

 

Voltei muito animada. Aqueles 20 dias comungando com educadores de vários Estados, com visões diversificadas, foi uma iluminação em minha vida. De repente, passei a ver um mundo diferente, cheio de possibilidades. Queria voltar a estudar, fazer um mestrado... Mas, o estudo dos filhos era prioridade. Segui fazendo todos os cursos de atualização ao meu alcance.

 

Rio de Janeiro, 25/06/81

Benedita Silva de Azevedo

 

 

 

 

 

 


Publicado por Benedita Azevedo em 01/11/2020 às 17h01
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23/10/2020 09h40
 Histórias e fotos- capítulo XX

  O sofrimento do marido chega ao fim.

Nossa vida com o Amilcar doente era sempre um sobressalto. Ao sair pela manhã para o colégio, nunca sabíamos o que poderia acontecer. Já não íamos à praia aos domingos. Os filhos eram compreensivos. As condições do pai não mais permitiam. Ao final do bimestre, eles me ajudavam a corrigir a parte objetiva das provas, com o gabarito. Eram momentos de sobressaltos, mas, equilibrados. Foi muito difícil quando tive de fazer um plano funeral. Há muito eu sabia que a doença dele era irreversível. Mas, ainda não tivera coragem para aceitar isso por completo. Aproveitei uma promoção e fiz um plano com carência reduzida.

Em julho de 1980, faria 10 anos que tivera o AVC. Começamos o ano apreensivos. Os filhos no terceiro ano CI (Ensino médio) precisavam ter dedicação maior aos estudos. O pai só piorava. Em março, logo após o início das aulas, teve uma piora acentuada. Comentei com ele que seria necessário ir para o hospital. Trocamos um olhar piedoso e suas lágrimas desceram. Entendi que ele não queria ir. Saí do quarto para me recompor de tanta emoção. Resolvi pedir uma licença de 30 dias nas aulas da noite e contratar a Irmã Esmeralda, enfermeira, que passou a ir todos os dias, pela manhã, fazer os curativos e controlar o soro. Eu ia almoçar e a levava para o colégio a tarde, seu horário de trabalho. Em abril mamãe foi de Itapecuru passar uns dias e acompanhá-lo na parte da tarde, enquanto eu voltava para o Marista com a Irmã.

No feriado da Semana santa, notei que ele estava com uma ronqueira no peito. Chamamos o médico. Ele disse que estava chegando ao final o sofrimento dele. Chamamos o padre para lhe dar a extrema unção no dia 22 de abril. Amilcar respirava com muita dificuldade. Estávamos todos à sua volta: Eu, mamãe, Rogério, Jane e Maria, a cuidadora. Ao término da cerimônia, Rogério foi levar o padre. Os outros se afastaram do quarto. Ao ver Amilcar naquelas condições, não resisti. Deitei ao seu lado. Aconcheguei-me a ele, pus a cabeça em seu ombro e falei: “Meu amor, perdoa-me por tudo. Por não poder ter ficado ao teu lado por mais tempo. Se eu pudesse teria ficado todos os dias à sua cabeceira, para lhe dar o apoio da presença. Mas, eu precisava trabalhar para cuidar dos nossos filhos. Você viu como estão bonitos?! Já terminam o científico este ano (segundo grau). Jane quer fazer Odontologia e Rogério, Farmácia. Vou continuar trabalhando muito para que eles atinjam seus objetivos. Você pode descansar em paz, eu prometo fazer tudo para que eles tenham aquilo que nós dois, juntos, sonhávamos: uma vida digna e honesta. Sei que você sofreu muito. Os ciúmes faziam parte da sua natureza. Queria-me só para você e foi assim até hoje.

Surpreendentemente, Amilcar, que perdera os movimentos das articulações há bastante tempo, pelo efeito da esclerose, levantou o braço esquerdo, afagou meus cabelos e chorou convulsivamente. Eu não entendi como pode ter acontecido. Como arranjou forças para levantar aquele braço inerte?! Fazia tanto tempo que não tinha um carinho e me deixei ficar ali, até que ele se acalmasse e adormecesse. Levantei devagar e fui conversar com a mamãe. Ela chorava. Assistira da porta a cena comovente.

Na manhã seguinte, Amilcar amanheceu melhor. Os olhos brilhavam. Quando entrei com o café, ele sorriu. Mais uma vez me desculpei por não poder ficar mais tempo com ele. Precisava trabalhar. Mas, se precisasse Maria me chamaria eu viria correndo. Prometi chegar mais cedo. Estava de licença à noite. Diante da melhora do genro mamãe voltou para Itapecuru.

Passados doze dias da extrema unção, na véspera do aniversário dele, num sábado, eu trabalhei em casa, corrigindo provas na parte da manhã. Maria avisou que Amilcar não comera o lanche. Fui ao quarto e percebi que ele não conseguia abrir direito os olhos. Seu globo ocular parecia dançar de um lado para o outro na órbita. Preparei um copo de leite e lhe dei às colheradas. Ele tomou com dificuldade. Fiquei ao seu lado segurando-lhe a mão até ele dormir. Verifiquei sua temperatura, estava normal.

Deitei-me a seu lado, na rede. Acordei cedo e lembrei de que era aniversário dele. Mesmo doente, todo ano eu e os filhos cantávamos parabéns. Fiquei a olhá-lo da porta. Continuava sem abrir completamente os olhos. Peguei a mão dele e beijei. A temperatura ainda estava normal. saí e fui corrigir provas enquanto Maria tentava lhe dar o café. Ele não se alimentou. Na hora do almoço não abriu a boca para comer.

A vizinha da frente chamou Jane para mostrar um trabalho escolar que estava fazendo. Rogério lavava o carro na calçada da casa. A Irmã Esmeralda, como aparentemente ele tivesse melhorado, foi passar o final de semana no convento onde morava. Mas, qualquer coisa era só telefonar que ela viria.

Preparei um copo de leite para Amilcar. Ele estava com a respiração ofegante. Coloquei a primeira colherada em sua boca e observei a ponta do nariz muito branca. Coloquei mais uma colherada. Pareceu-me que a área branca do nariz estava aumentando. Pousei o copo na bandeja e segurei a mão dele. Estava um gelo. Verifiquei suas pernas. Geladas. A área branca do nariz aumentava, parecia que o sangue estava fugindo. Compreendi que chegara a hora dele partir. Um tremor percorreu meu corpo. Pensei em chamar os filhos, mas achei melhor não assustá-los. Segurei a mão dele e comecei a rezar em voz alta o Pai Nosso e a Ave-Maria. Quando terminei, ele deu um sorriso e parou de respirar. Senti um vazio angustiante enorme! Já esperávamos por isso, mas o fato consumado é assustador. Coloquei as mãos dele sobre o peito e olhei o relógio. Catorze horas do dia 04 de maio de 1980. Aniversário dele de 53 anos. Quase 10 após o AVC.

Respirei três vezes, profundamente, tentando readquirir o equilíbrio, e fui à frente da casa chamar os filhos. Na volta, abracei-os e falei com cautela:

 - O pai descansou. Já estava sofrendo muito. Os dois saíram correndo para o quarto. Rogério chorou baixinho. Jane perdeu o controle e lamentou:

- Eu pensava que meu pai pudesse melhorar. Eu não queria que ele nos deixasse. - Chorava. Abracei-a e tentei acalmá-la. Levei-os para a sala e falei:

- O pai já estava sofrendo há muito tempo. Deus teve pena dele e lhe deu o descanso. Não significa que esteja morto para sempre. Um dia nos encontraremos outra vez.

Eu queria pedir ajuda ao Bosco, um amigo e vizinho, mas, Rogério fez questão de ir à funerária contratar o velório. Telefonei para a Irmã Esmeralda, que prometera preparar o corpo. Liguei para os amigos mais próximos, para mamãe, para o colégio e para os irmãos de Amilcar. Os de São Paulo e o de Santa Catarina. Pedi aos cunhados que avisassem o pai e as irmãs em Portugal.

Nos dois anos que ficou de cama, só três amigos dele o visitaram. O Sr. Resende, a madrinha do Rogério e o Sr. José Leite e esposa. Talvez eu involuntariamente, tenha me afastado. Com uma jornada muito grande de trabalho, além dos cuidados que precisava ter com o marido, não me sobrava tempo para as relações sociais.

Irmã Esmeralda chegou e preparou o corpo. Vestiu a roupa, calçou os sapatos, amarrou a gravata e ficou aguardando a funerária. Rogério chegou acompanhado de um amigo. O carro funerário colocou os ornamentos na sala de visita para compor o velório.

Os amigos começaram a chegar. O apoio maior veio do pessoal do Marista onde eu trabalhava. D. Vilma, Bosco, Marialda e outros passaram a noite. Mamãe chegou na manhã do dia seguinte, antes do enterro que saiu às dez horas, do dia 5 de maio de 1980.

Bosco, coordenador do Serviço de Orientação Religiosa do Colégio Marista, encarregou-se de organizar a missa de sétimo dia, a ser celebrada na capela do colégio, com a presença dos alunos do segundo científico, colegas de Jane e Rogério. No dia, a capela ficou repleta. Eram quase 200 alunos nas 5 turmas.

Amílcar, depois de tanto sofrimento, merecia aquela missa bonita, celebrada pelo capelão do Marista, Padre Paulo.

Esta foto foi recuperada de um crachá.

 

 

 

 

 

 

 

 


Publicado por Benedita Azevedo em 23/10/2020 às 09h40
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20/10/2020 03h40
Texto recuperado I - Primeiros contatos com o haicai

Meu caro amigo, José Marins!

Permita-me fazer um comentário do qual você é um dos personagens.

Nesta ordem: Antonio Pimentel, Edson, Teruko e José Marins têm uma grande parcela de colaboração na minha formação de haicaísta. Eu os considero meus mestres de haicai. Li uma citação do Savioli, no livro Burajiru, onde afirma que a ignorância é atrevida. Pois bem, na minha atrevida ignorância, ao me apaixonar pela concisa forma do haicai, publiquei o livro “Nas Trilhas do Haicai”, com 280 tercetos. Para mim eram haicai, com todas as sílabas, no formato exigido.

A princípio não conhecia a realidade do haicai no Brasil. Ao ser convidada pelo Antônio Pimentel, em novembro de  2.000, para o lançamento do livro "Na trança do tempo" de Lena Jesus Ponte, tive o primeiro contato com o haicai e os primeiros brasileiros a praticá-lo. Confesso que a parte histórica, a princípio, conquistou a professora de literatura. Além de comprar o livro lançado, ganhei mais dois sobre o assunto. Meu entusiasmo em publicar o livro com uma pequena monografia ao final,  tinha por objetivo trabalhar com meus alunos da rede pública, textos curtos, feito a trova e o haicai; partindo daí para textos mais complexos em prosa e verso.

Nas reuniões de sábado, na Papelaria Ideal, em Niteroi, aprendi  as primeiras regras sobre o haicai com o amigo, Pimentel e a indicação de publicação na página do Haicai Brasileiro, no site do jornal Nippo-Brasil, e a coluna “Pétalas ao Vento”.

Foi ali, nos dez artigos do Edson que aprendi o que é haicai. Comecei a enviar meus haicai, aí sim, já com o kigo. Ele me convidou a participar do Festival do Japão em julho de 2005 e lá conheci o Murata, Douglas e Hazel que me convidaram a participar do Grêmio Ipê. Dia 05 de agosto de 2005, participei pela primeira vez da reunião do grupo. De então até abril de 2007, viajei uma vez por mês a São Paulo, onde participava das oficinas coordenadas pelo Edson, onde os haicais eram avaliados pela  professora Teruko Oda.

Todo este preâmbulo, para contar como conheci o amigo José Marins. Após receber um volume do meu livro “Nas Trilhas do Haicai”, certo dia, me apareceu um e-mail dele falando do livro. Dizia que a minha vivência haicaísta o impressionara, mas, que a maioria dos meus tercetos, não eram haicai. E que poderia me orientar numa nova edição do livro. Disse-lhe que ia pensar no assunto, mas para outros haicais, pois aqueles já estavam publicados e não valeria a pena gastar mais dinheiro com eles. Passou algum tempo e o procurei. Muito ocupado, ele marcou uma data para que eu lhe enviasse o material para um novo livro.

Não lembro ao certo, tenho anotado em algum lugar, mas, me parece que lhe enviei 320 haicais. Ele respondeu o e-mail dizendo que não se faziam livros com tantos poemas. Que o ideal seria selecionar 200 e fazer dois livros com 100 cada um, pois, eu escolhera o formato do seu “Pinha Pinhão”.

Durante a seleção discutimos vários aspectos do haicai. Ele me indicou artigos da Débora, da Rosa e do site www.kakine.com para ler, sugeriu que lesse os haicais da Teruko e que não fosse tão rigorosa com a métrica. Acabamos nos tornando amigos. Selecionamos 170 haicais. Por sugestão dele, dividimos os livros por temas, de acordo com os haicais. Fizemos o “Canto de Sabiá” com 100 e “Praia do Anil” com 70 haicais.

Na minha aprendizagem do haicai clássico, foram meus mestres: primeiro o Edson, através do Nippo-Brasil e do Caqui. Depois a Teruko, no Grêmio Haicai Ipê junto com o Edson. Mais tarde, o Marins deu-me um toque diferente completando o meu entendimento sobre o haicai.  Douglas era a nossa âncora no Grêmio Haicai “Águas de Março”, sempre presente e solícito na orientação de seus membros.

"Na Haikai-l, sou mais uma observadora e aprendo muito. Foi aqui que conheci os artigos do prof. Paulo Franchette e a admiração dos haicaístas pelo seu trabalho e orientação. Leio tudo que é postado.  Somos 150 com a maioria “oculta” como já foi falado. Mas, como diz o provérbio, “o exemplo fala mais alto que as palavras”. Nosso mestre, Paulo, com sua vasta produção de haicais, provocou muitos de nós a seguir-lhe o exemplo. Quantos destes ocultos deixam de publicar seus trabalhos porque não recebem nenhuma palavra de incentivo! - Pelo menos: “que bom que você tentou, continue praticando!”.  Ninguém começou a praticar o haicai sendo o máximo. Cada um teve o seu tempo de aprendizado. Por isso, para quem gosta deste gênero mágico de composição e quer vê-lo parte integrante da literatura brasileira, sem nenhuma restrição, precisa apoiar quem está começado.

Há uma citação dos trovadores, que no momento, é o maior movimento literário brasileiro, que eles fazem questão de divulgar em todos os boletins, que ilustra a minha observação." - “O que você faz pela trova, é tão importante quanto a trova que você faz” (Deixei os dois  últimos parágrafos sem edição). 

Marins, obrigada pelas dicas, tão importantes no meu aprendizado. Obrigada a todos os confrades da Haika-l, obrigada Pimentel, Douglas,  Edson, muito obrigada minha mestra e amiga Teruko.

Praia do Anil, 03/10/2010

Editado em 20/10/2020

Fraterno abraço

Benedita Azevedo


Publicado por Benedita Azevedo em 20/10/2020 às 03h40
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