Haicai, Verso e Prosa

Letras e Sentimentos

Meu Diário
17/09/2019 02h43
EDITAL DE PUBLICAÇÃO -

 

ACLAM - Academia de Ciências, Letras e Artes e Magé

Fundada em 24 de setembro de 2011.

Casa de Aluísio Azevedo e Ney de Lima.

CELEBRANDO A CULTURA DE MAGÉ

.

CAROS CONFRADES E CONFREIRAS DA ACLAM!

 

Vamos celebrar a “Cultura Mageense” em prosa, verso e arte. Uma antologia, onde você poderá escrever sobre sua cidade, sua história, sua gente, seus artistas, seus escritores...

-

1. Faremos 100 livros: 16x23 papel pólen, capa 4 cores, 100 páginas. Com ISBN e código de barras.

2. Quem pode participar? Autores da ACLAM.

3. Cada página custará 30,00. O mínimo são 2 páginas para cada autor. Uma para foto e biografia e outra para o texto. O autor receberá 2 livros por página.

4. Texto em prosa: 32 linhas por página: conto, crônica, histórico e/ou letra de música.

5. Poesias: qualquer forma de poesia, também com, no máximo, 32 linhas.

6. Por este preço, o livro poderá ter foto de trabalhos somente em preto e branco.

7. Tema livre. Vetado (política e pornográfico)

8. São 50 páginas disponíveis para os autores. Nas 50 restantes  publicaremoa o histórico dos 8 anos de fundação da ACAM (por Benedita Azevedo).

9.  Data para envio do material, até 15 de outubro 2019  pelo e-mail: benedita_azevedo@yahoo.com.br

10. Lançamento dia 21 de dezembro - NO ALMOÇO DE CONFRATERNIZAÇÃO

LOCAL: Rua Carlos Franco, 179, Praia de Mauá, Magé-Rj, às 12horas

--------

Conta / depósito para a antologia.

BRADESCO

Agência 1546-6

C/c 10332-2

(Benedita Silva de Azevedo)

Envie o comprovante pelo Messenger ou  WHATSAPP

-

Praia do Anil, 21/07/2019

Benedita Azevedo

(Presidente do Conselho de recuperação da ACLAM)

 


Publicado por Benedita Azevedo em 17/09/2019 às 02h43
 
21/05/2019 19h50
Reunião da ACLAM - junho

ACADEMIA DE CIÊNCIAS, LETRAS E ARTES DE MAGÉ

FUNDADA EM 11 DE SETEMBRO DE 2011

Casa de Aluísio Azevedo e Ney  de Lima

***

Caros confrades e confreiras da ACLAM!

Nossa próxima reunião será dia 1º de junho, sábado, às 1400h; 

Local: Museu Mariângela Yanase;

Endereço: Rua da Assembléia, 127, Cachoeira Grande, Rio do Ouro, Magé-RJ

***

Pauta da Reunião:

1. Precisamos saber quem realmente está interessado em continuar!

 Pertencer a uma “Academia de Ciências, Letras e Artes", não acontece toda hora. Por isso quem conseguiu deve se esforçar para não perder essa oportunidade.

2. Se você for continuar vista a camisa e participe de verdade!  As atividades visarão sempre a divulgação da cultura Mageense.  Já fazemos isso em todas as atividades e prêmios que  recebemos. Magé está sempre em evidência.

3. Reformulação do Estatuto e Regimento Interno. 

4. No  oitavo  ano de fundação da ACLAM, dia 24 de setembro, faremos uma grande comemoração para redistribuição das cadeiras e posse de novos acadêmicos. Todos receberão novos diplomas.

Como a data é na 3ª feira, devemos escolher 21 ou 28 de setembro.

 

5. Temos grandes projetos para nossa Academia.

VAMOS JUNTOS TRABALHAR PELA GRANEZA DA ACLAM E DA CULTURA DE MAGÉ!

 

Praia do Anil, Magé, 21/05/2019

Benedita Azevedo

Presidente da Comissão de restauração

 


Publicado por Benedita Azevedo em 21/05/2019 às 19h50
 
26/07/2018 21h57
Como surgiram os Grêmios de Haicai Sabiá e Águas de Março?

I Parte - texto 1

.

Histórico dos Grêmios de Haicai Sabiá e Águas de Março.

(Por Benedita Azevedo)

 

     Tudo começou quando em 2000, lancei meu primeiro livro “Voltando a viver”. Fiz vários lançamentos no mês de julho. No início do segundo semestre fui surpreendida em sala de aula por um chamado da diretora Maria Aparecida Alonso, à secretaria.

      A secretária portadora da missiva ficou com os alunos enquanto eu seguia, um tanto preocupada com tal convocação. A diretora foi ao meu encontro na porta da sala, me pegou pela mão e me conduziu ao fundo da sala e me apresentou a um senhor baixo, cabelos grisalhos, com meu livro na mão:

         - Professora este é o escritor José Inaldo Alonso, da Academia Niteroiense de Letras e da Academia Mageense de Letras. Ele leu seu livro e que conhecê-la. Leve-o até a sala dos professores e fiquem à vontade.

         Ele se apresentou como professor de história aposentado e escritor. Disse que gostara do meu livro e viera de Niterói a Magé me fazer o convite a participar do Grupo Mônaco de Literatura. As reuniões seriam aos sábados das 10:00 às 12:00h, na Papelaria Ideal.

         Ao comparecer à reunião, soube que teria o lançamento do livro da escritora Lena Jesus Ponte: “Na trança do tempo”- haicai, na semana seguinte. Nunca tinha lido um haicai. Conhecia apenas a definição: poema de forma fixa, composto  em 3 versos e 17 sílabas.

         Ganhei do José Alonso um livro de presente, com a dedicatória da autora. Em casa li todos os poemetos e gostei muito. Mas quando li, ao final, o texto “Uma poesia Imigrante”, senti que estava na minha área preferida: História da Literatura. A forma e o metro, Pimentel fez questão de explicar. O primeiro exemplo que aparece no pequeno ensaio é o de Guilherme de Almeida:

O haicai

Lava, escorre, agita

A areia. E enfim, na bateia,

Fica uma pepita.

 

Logo adiante surgia o de Matsuo Bashô, com essa tradução. Eu não conhecia o autor, nem o haicai:

 

Na velha lagoa

Pro fundo uma rã mergulha.

Barulho das águas.

 

A seguir, o haicai de Antônio Luís Pimentel, a mais bela definição de haicais que conheço:

 

Que é um haicai?

É o cintilar das estrelas

Num pingo de orvalho.

 

Gostei dos haicais da Lena, especialmente deste:

 

Tece a aranha a teia.

A trama do seu tecido

A tudo se liga.

 

     Na mesma data, ganhei de Luiz Antônio Pimentel, o livro de Vinicius Sauerbronn “Poesia budista” no qual consta o  artigo “Gênese do haicai”  de Pimentel.

 

Neste estudo ele fala da waka, poesia típica que vem desde a era dos deuses (Kamiyo-Jidai), quando o Japão era todo um céu. Foi sem dúvida alguma, Susano-Wo-no-Mikoto, irmão do Deusa Sol, fundadora do império do Sol Nascente, quem compôs a primeira waka que não se perdeu através dos séculos.

         Assim falou o primeiro poeta que a história do Japão consagrou:

 

“Yagumo tatsu

Izumo yaegaki

Tzumagomi ni

Yaegaki tsukuru

Sono Yaegaki wo”

 

Ou seja em português:

 

“Andei oito nuvens

Até as terras de Izumo...

Ergui oito muros

- um castelo de oito muros,

Para guardar minha amada.

 

     A waka, que tem na parte superior versos de cinco, sete, cinco sílabas, e na parte inrerior, dois vrsos de sete, somando ao todo trinta e uma sílabas, é também chamada Shikishima-no-michi, que quer dizer: à maneira de Shikishima (nome antigo do Japão, ou anida Yamato uta, poema japonês.

 

     Há mais de mil e cem anos foi publicada a primeira obra clássica de waka, intitulada Manyo-shu, primorosa coletânea de poesias feitas por de todas as castas, desde imperadores até soldados e agricultores, que ainda em nossos dias é editada, lida e comentada pelo seu grande valor como documento histórico. Os poetas máximos dessa época foram Hitomaro, Akahito, Okura, Yakamochi e outros.

     Mais tarde, na Era do Imperador Daigo (ano 922 da nossa era) foi compilada uma outra coletânea, ou melhor, uma antologia não menos notável, intitulada Kokin-shu (coletânea de antigas e novas wakas), de onde selecionaram os cem poemas célebres que estão ornamentando as cartas usadas para jogar durante os dias festivos do Ano-Novo no Japão.

     Essa nova obra veio enriquecer sobremaneira a poesia japonesa, lançando nomes como Tsurayuki, Narahira e a poetisa Komachi que marcou época no Império das Cerejeiras em Flor, ficando famosa, não somente pelo seu talento invejável, pela sua inspiração divina, mas, principalmente, por sua incomparável beleza. Seu nome ainda hoje no Japão é empregado como sinônimo de mulher bela e talentosa.

     Daí por diante, várias séries de waka, surgiram, mas já sob o controle do Governo, sem contudo lograr o sucesso marcante, definitivo, absoluto, das publicações anteriores.

     Na Era Meiji, em que o imperador só de 1893 a 1901 produziu nada menos que 27.000 wakas, surge Shiki Massaoka, dando novos rumos, emprestando à waka novas normas, afastando-a um pouco dos moldes demasiadamente clássicos, cristalizados, viciados,  gastos através dos séculos. Foi quando se projetou a famosa poetisa Akiko e o poeta Takuboku liderando outros nomes que, igualmente, ficaram gravados para sempre na história da poesia japonesa.

###

     A minha convivência com Antônio Pimentel, no Grupo Mônaco, e a leitura desses dois primeiros livros onde conheci o assunto foram o início do meu interesse pelo haicai. Mas, como ainda lecionava 60h/aula por semana, não pude dedicar-me como gostaria. Entretanto, comecei a escrever meus tercetos  e mostrar a ele, que lia e conferia as sílabas.  Lancei meu primeiro livro, sem ainda conhecer a cultura do kigo.

     Luiz Antônio Pimentel tornou-se um grande amigo. Foi ele quem me falou do Nippo Brasil e me passou o endereço eletrônico da coluna para enviar os haicais: zashi@nippobrasil.com.br

     Em 30 de maio de 2004, com o kigo “Arrebol de outono”, foram publicados meue primeiros haicais:

 

Início da noite.

Na esquina da praia

o arrebol de outono.

 

Praia de Mauá.

O arrebol de outono vê-se

No espelho das águas.

 

Em maio de 2005 foram publicados mais dois dos meus haicais:

 

Nas flores do beijo,

Gotas de orvalho cintilam

Logo de manhã.

 

Na casca do milho,

Para o café da manhã

Gostosas pamonhas.

 

Nunca mais parei de compor haicais tradicionais ou clássicos. E criei o “Projeto Haicai na Escola” lançado em outubro de 2004, para levar o haicai às crianças. (Próxima publicação)

Inverno de 2018

EMI (恵美)Benedita Azevedo

 

 


Publicado por Benedita Azevedo em 26/07/2018 às 21h57
Copyright © 2018. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.
 
19/03/2018 16h40
Casa de Jamil Munbarak

A casa de Jamil Munbarak

       A Casa São Pedro, construída em 1942, por Bernardo Thiago de Mattos, quando resolveu urbanizar a cidade de Itapecuru Mirim. Lá passou a funcionar o comércio de secos e molhados de Jamil Munbarak, que mais tarde, em 1948, construiu ao lado, sua residência, segundo anotações, no texto de Jucey Santana.

       Era uma das casas onde fazíamos compras. Princippalmente, os aviamentos para mamãe que era costureira. Quando não tinha na casa de Helena, como era conhecida a Casa São Pedro, comprávamos na casa de Mundiquinho Mendes, na Rua do Egito.

        Os irmãos Jamil e Helena Munbarak eram os padrinhos de minha irmã caçula, Maria do Socorro. Não sei precisar a data, mas lembro quando Jamil se casou. Eu era pequena, doze ou treze anos. Um dia entrei com mamãe no comércio. Ela cumprimentou o compadre e parabenizou-o pelo casamento. A esposa estava com ele no comércio e foi apresentada à comadre.

        Ele pediu à esposa que mostrasse a casa para mamãe. Saímos do comércio e entramos na residência. Nos fundos, após uma área interna, contornamos uma pilha de tijolos, para chegarmos aonde estavam sendo construídos novas dependêcias para Helena e Nazaré, já em fase de conclusão. 

       As duas irmãs se revezavam no Comércio, ao lado do irmão. Após o casamento, mesmo Maud sendo professora no Grupo Escolar Gomes de Sousa, eu a vi muitas vezes, ao lado do marido trabalhando na Casa São Pedro.

      Em 2011, numa das minhas idas a Itapecuru, fiquei hospedada no Hotel Brasil, X com a Casa São Pedro. A cor, o letreiro, as portas, tudo continuava como sempre! Tive curiosidade de saber como estavam aquelas pessoas que eu conhecia há tanto tempo, e fui visitá-los! Lá estavam Jamil e Maud no comércio. Perguntei a eles se lembravam de mim e disse meu nome:  Sou Benedita. Na hora, ele falou: Você não é a filha do compadre Euzébio e da comadre Rosinha que foi para o sul? Diante da minha confirmação ele começou a contar a história da morte do meu irmão, em 1954, quando eu tinha dez anos. Na conversa ele falou da tristeza que sentiu quando soube da morte de meus pais: mamãe em 09/12/93 e Papai em 07/04/96.

      No dia seguinte, voltei com Jucey Santana, que eu acabara de conhecer e andava pesquisando a vida de Mariana Luz. Jamil sabia de tudo. Parecia uma enciclopédia. Os olhos brilhavam diante das nossas perguntas.

      Antes de sairmos, tiramos fotos do casal e nossas.  Ele me disse: Vem aqui amanhã que quero te mostrar os instrumentos de tortura da época da escravidão.

     No dia seguinte, voltei, tirei fotos dos objetos e foi o último contato que tive com os amigos.

     Ao retornar, em 2016, a casa estava fechada. O casal estava em São Luís em tratamento de saúde! E agora, esta notícia de que a casa será demolida! Sangra meu coração!

Benedita Azevedo

Rio de Janeiro, 19 de março de 2018

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Publicado por Benedita Azevedo em 19/03/2018 às 16h40
Copyright © 2018. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.
 
22/02/2018 14h37
Feitos de Afrânio Peixoto, na Medicina e nas Letras

“Para quem teve o privilégio de conhecê-lo, como eu o conheci, em longo convívio, quase dia a dia, houve dois Afrânio: um que se transferiu para seus livros; outro, que não se separou do próprio Afrânio, e que o acompanhava aos salões, aos encontros de rua, às conferências e às salas de aula. O segundo, sem dúvida alguma, era maior que o primeiro. Porque os livros não conseguiam captar e guardar todo o fulgor da inteligência do mestre baiano, que dava de si, com todo o brilho, no improviso de uma palestra ou de uma conversa.”

[MONTELLO citado por

VENÂNCIO FILHO, 2007, p. 8].

 

 

Terceiro ocupante da Cadeira 7, eleito em 7 de maio de 1910, na sucessão de Euclides da Cunha e recebido em 14 de agosto de 1911 pelo Acadêmico Araripe Júnior. Recebeu os Acadêmicos Osvaldo Cruz em 26 de junho de 1913,Aloísio de Castro em 15 de abril de 1919 e Alcântara Machado em 4 de outubro de 1933. Foi sucedido por Afonso Pena Júnior.

Afrânio Peixoto (Júlio A. P.), médico legista, político, professor, crítico, ensaísta, romancista, historiador literário, nasceu em Lençóis, nas Lavras Diamantinas, BA, em 17 de dezembro de 1876, e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 12 de janeiro de 1947.

Foram seus pais o capitão Francisco Afrânio Peixoto e Virgínia de Morais Peixoto. O pai, comerciante e homem de boa cultura, transmitiu ao filho os conhecimentos que auferiu ao longo de sua vida de autodidata. Criado no interior da Bahia, cujos cenários constituem a situação de muitos dos seus romances, sua formação intelectual se fez em Salvador, onde se diplomou em Medicina, em 1897, como aluno laureado. Sua tese inaugural, Epilepsia e crime, despertou grande interesse nos meios científicos do país e do exterior. Em 1902, a chamado de Juliano Moreira, mudou-se para o Rio, onde foi inspetor de Saúde Pública (1902) e Diretor do Hospital Nacional de Alienados (1904). Após concurso, foi nomeado professor de Medicina Legal da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro (1907) e assumiu os cargos de professor extraordinário da Faculdade de Medicina (1911); diretor da Escola Normal do Rio de Janeiro (1915); diretor da Instrução Pública do Distrito Federal (1916); deputado federal pela Bahia (1924-1930); professor de História da Educação do Instituto de Educação do Rio de Janeiro (1932). Reitor da Universidade do Distrito Federal, em 1935. Após 40 anos de relevantes serviços à formação das novas gerações de seu país, aposentou-se.

Sua estreia na literatura se deu dentro da atmosfera do simbolismo, com a publicação, em 1900, do drama Rosa mística, curioso e original drama em cinco atos, luxuosamente impresso em Leipzig, com uma cor para cada ato. O próprio autor renegou essa obra, anotando, no exemplarexistente na Biblioteca da Academia, a observação: “incorrigível. Só o fogo.” Entre 1904 e 1906 viajou por vários países da Europa, com o propósito de ali aperfeiçoar seus conhecimentos no campo de sua especialidade, aliando também a curiosidade de arte e turismo ao interesse do estudo. Nessa primeira viagem à Europa travou conhecimento, a bordo, com a família de Alberto de Faria, futuro acadêmico, da qual viria a fazer parte, sete anos depois, ao casar-se com Francisca de Faria Peixoto. Quando da morte de Euclides da Cunha (1909), foi Afrânio Peixoto quem fez o laudo de autópsia.

Ao vir ao Rio, seu pensamento era de apenas ser médico, tanto que deixara de incursionar pela literatura após a publicação de Rosa mística. Sua obra médico-legal-científica avolumava-se. O romance foi uma implicação a que o autor foi levado em decorrência de sua eleição para a Academia Brasileira de Letras, para a qual fora eleito à revelia, quando se achava no Egito, em sua segunda viagem ao exterior. Começou a escrever o romance A esfinge, o que fez em três meses antes da posse em 14 de agosto de 1911. O Egito inspirou-lhe o título e a trama novelesca, o eterno conflito entre o homem e a mulher que se querem, transposto para o ambiente requintado da sociedade carioca, com o então tradicional veraneio em Petrópolis, as conversas do mundanismo, versando sobre política, negócios da Bolsa, assuntos literários, artísticos e viagens ao exterior. Em certo momento, no capítulo “O Barro Branco”, conduz o personagem principal, Paulo, a uma cidade do interior, em visita a familiares, ali residentes. Demonstra-nos Afrânio, nessas páginas, os aspectos da força telúrica com que impregnou sua obra novelesca. O romance, publicado em 1911, obteve um sucesso incomum e colocou seu autor em posto de destaque na galeria dos ficcionistas brasileiros. Na trilogia de romances regionalistas Maria Bonita (1914) Fruta do mato (1920) e Bugrinha (1922). Entre os romances urbanos escreveu “As razões do coração” (1925), “Uma mulher como as outras” (1928) e “Sinhazinha”(1929).

Afrânio Peixoto, foi o primeiro autor brasileiro de haicai. Em 1919, através de seu livro Trovas Populares Brasileiras, prefaciou suas impressões a respeito do poema japonês e publicou cinco haicais comparando a trova brasileira com o haicai japonês.

“Os japoneses possuem uma forma elementar de arte, mais simples ainda que a nossa trova popular: é o haikai, palavra que nós ocidentais não sabemos traduzir senão com ênfase, é o epigrama lírico. São tercetos breves, versos de cinco, sete e cinco pés, ao todo dezessete sílabas. Nesses moldes vazam, entretanto, emoções, imagens, comparações, sugestões, suspiros, desejos, sonhos... de encanto intraduzível"

[Peixoto.Afrânio, in Trovas Brasileiras, págs. 13 - 14, W.M. Jacson, INC. Editores, Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre, 1944]

 Foi, ainda, Afrânio Peixoto, que fez a primeira referência textual do haikai em forma de ensaio,“O  HAIKAI JAPONÊS OU EPIGRAMA LÌRICO” na revista Excelsior,  janeiro de 1928, p, 18 - 20. Mais tarde esse artigo foi utilizado no seu livro “Missangas”– Poesia e Folklore, publicado em 1931, pela Companhia Editora Nacional, Rua dos Gusmões,26-28 São Paulo – Brasil, 1931.

         Naquela época, em que respirava os ares "verde-amarelo"do Movimento Modernista Pei-xoto defendia a naturalização do Hai-Kai. Dizia ele:

"Em francês, inglês, alemão aparecem haikais. Dir-se-á que assim não devera ser, e ao Japão os devíamos deixar. Então o epigrama ficaria heleno, a sátira romana, o romance novo-latino, o soneto italiano, a balada, a canção, o conto... seriam privativos de certos povos e não universais formas de arte... O haikai merece naturalização".

Para incitar os poetas nacionais, tão fáceis de obter maravilhas de adoção, o mais íntimo dos meus amigos lhes oferece esta recolta de haicais brasileiros, como se lhes desse kakis de Barbacena ou de São Paulo, já naturalizados, escreveu no ensaio "O haikai japonês ou epigrama lírico"                              [Missangas p. 239]

“Peixoto disse ainda: Bashô, o mestre de todos os grandes líricos japoneses do “haikai”, trinou: “Na composição não se vá compor de mais”. Perder-se-ia o natural. Que vossos pequenos poemas venham do coração”.

 

Dotado de personalidade fascinante, irradiante, animadora, além de ser um grande causeur e um primoroso conferencista, conquistava pessoas e auditórios pela palavra inteligente e encantadora. Como sucesso de crítica e prestígio popular, poucos escritores se igualaram na época a Afrânio Peixoto.

Na Academia, teve também intensa atividade. Pertenceu à Comissão de Redação da Revista (1911-1920); à Comissão de Bibliografia (1918) e à Comissão de Lexicografia (1920 e 1922). Presidente da Casa de Machado de Assis em 1923, promoveu, junto ao embaixador da França, Alexandre Conty, a doação pelo governo francês do palácio Petit Trianon, construído para a Exposição da França no Centenário da Independência do Brasil. Em 1923 criou a Biblioteca de Cultura Nacional dividida em : História, Literatura, Dispersos e Biobibliográfica, iniciando esta série com a biografia de Castro Alves. Em sua homenagem a coleção passou a ter o nome de Coleção Afrânio Peixoto.

Como ensaísta escreveu importantes estudos sobre Camões, Castro Alves e Euclides da Cunha.Em 1941 visitou a terra natal, Bahia, depois de 30 anos de ausência e publicou 2 livros: “Breviário da Bahia” (1945) e “Livro de Horas” (1947).

Afrânio Peixoto procurou resumir sua biografia o seu intenso labor intelectual exercido na cátedra e nas centenas de obras que publicou em dois versos: “Estudou e escreveu, nada mais lhe aconteceu.”

Era membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, da Academia das Ciências de Lisboa; da Academia Nacional de Medicina Legal, do Instituto de Medicina de Madri e de outras instituições.

----------------------

 

Praia do Anil, 28/05/2015  

[Benedita Silva de Azevedo]

 

 

 

 

 

 

 


Publicado por Benedita Azevedo em 22/02/2018 às 14h37
Copyright © 2018. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.



Página 1 de 20 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 » [próxima»]

Tela de Claude Monet
Site do Escritor criado por Recanto das Letras